08/06/2018 ás 08h09
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O professor, Harlon Homem de Lacerda Sousa, do quadro permanente da universidade estadual do Piauí lotado no curso de Letras/português do campus Professor Possidônio Queiroz anunciou que iniciou uma greve de fome nesta quinta feira, 07.
Ao conversar com o folhadeoeiras, o professor falou que já estava há mais de 14 horas sem se alimentar e que apenas se hidratava com água a soro. O educador disse a nossa reportagem que estava sozinho nas dependências do Campus Professor Possidônio Queiroz Ele afirma disposição em dar a vida pela uespi, pelos professores e professoras, pelos estudantes, mas, principalmente, pelo sonho de ser professor de uma Instituição de Ensino Superior que seja digna e que represente o povo de Oeiras e do Vale do Canindé sendo referência na cidade, no Estado e no País.
O educador disse a reportagem do folhadeoeiras que estava sozinho nas dependências do Campus Porfessor Possidônio Queiroz. O professor informa que há seis anos trabalha na UESPI em Oeiras e durante esse tempo vem sendo tolhido, desrespeitado, afrontado e desamparado pelo Governo do Estado do Piauí na realização do seu sonho que é ser professor universitário, de se dedicar à pesquisa, ao Ensino superior e à universidade pública.
Harlon aponta que no último dia 21 de maio de 2018, ele e um grupo de estudantes do campus de Oeiras, Picos, Teresina e representantes da ADCESP – colocaram os problemas para a administração superior da universidade. De acordo com o professor, o que alegaram é que a UESPI está de mãos atadas e depende totalmente da boa vontade do governo do estado.
"Estou fazendo essa manifestação de livre e espontânea vontade, e dotado de minhas plenas faculdades mentais de acordo com as convenções sociais e médicas. Portanto, de maneira muito serena e racional, anuncio que estou oficialmente em greve de fome por tempo indeterminado".
Leia o texto que o professor Harlon Homem de Lacerda Sousa escreveu para anunciar greve de fome:
Senhoras e senhores, meus amigos, amigas e familiares, boa noite! Hoje, dia sete de junho de 2018, eu, Harlon Homem de Lacerda Sousa, brasileiro, solteiro, pai de uma criança de três anos chamada Bárbara, professor do quadro permanente da universidade estadual do Piauí lotado no curso de Letras/português do campus Professor Possidônio Queiroz desde o dia 09 de maio de 2012, venho, de livre e espontânea vontade, e dotado de minhas plenas faculdades mentais de acordo com as convenções sociais e médicas, me manifestar a todos e todas que possam e queiram me ouvir.
Sempre tive o sonho de ser professor universitário, de me dedicar à pesquisa, ao Ensino superior, à universidade pública. Venho construindo, ao longo de 15 anos, um currículo acadêmico alicerçado na excelência e na necessidade da descoberta, da arte e da vida. Há seis anos sou professor da UESPI em Oeiras e há seis anos venho sendo tolhido, desrespeitado, afrontado e desamparado pelo Governo do Estado do Piauí na realização do meu sonho. Da mesma maneira, tenho visto, apenas aqui em Oeiras, centenas de pessoas, alunos, alunas, funcionários e funcionárias, professores e professoras na mesma situação. É impossível, pra qualquer ser humano minimamente sensível à existência e à dor do outro, vivenciar tal situação e ficar incólume, inerte, passivo. Há dois anos, tentei tomar uma atitude semelhante a que estou tomando hoje, mas fui convencido a nada fazer com uma promessa de avanço. Hoje, entretanto, a situação se aprofunda e se amplia de forma tal que não há, para mim, outra maneira, de se posicionar. Não há, eu reitero, pois no dia 21 de maio de 2018, fomos – estudantes do campus de Oeiras, Picos, Teresina e representantes da ADCESP – colocar nossos problemas para a administração superior da universidade. A cada resposta dos pró-reitores que ali estavam, havia apenas uma interpretação possível: a UESPI está de mãos atadas e depende totalmente da boa vontade do governo do estado. Porém, esta boa vontade não se manifesta. Na última greve que fizemos, em 2016, o governo do estado praticamente não atendeu as pautas dos professores e professoras. Foi em vão. Portanto, de maneira muito serena e racional, a partir deste momento eu anuncio que estou oficialmente em greve de fome por tempo indeterminado. Permanecerei assim até que as exigências seguintes sejam consideradas e atendidas:
Enquanto estas exigências não forem atendidas integralmente ou respeitosamente consideradas e negociadas, eu permanecerei em greve de fome e acampado no campus Professor Possidônio Queiroz. Estou disposto, sim, a dar minha vida pela uespi, pelos professores e professoras, pelos estudantes, mas, principalmente, estou disposto a dar minha vida pelo sonho de ser professor de uma Instituição de Ensino Superior que seja digna e que represente o povo de Oeiras e do Vale do Canindé sendo referência na cidade, no Estado e no País. Estou disposto, sim, a dar minha vida para que a minha filha saiba que seu pai lutou por um sonho, que seu pai lutou pela garantia de que ela receberá um mundo melhor. Para finalizar minha fala hoje, eu deixo claro que, ao contrário do que anunciei há algumas semanas, eu não sou e não serei candidato a nenhum cargo eletivo nas eleições de 2018. Dito isto, eu sei que não sonho sozinho e faço o convite para todos e todas que estejam vendo esta transmissão estejam conosco: compartilhem, rezem, vibrem positivamente, divulguem. Digo mais uma vez: eu estarei a partir de hoje vivendo aqui neste campus em greve de fome até que todas as exigências sejam atendidas. Estarei aqui para conversar, para me manifestar, para explicar o que for necessário. Estarei aqui para todos e todas. Convoco ainda quem puder e quiser que venha ocupar a UESPI, que se manifeste, que nos ajude a lutar por esta universidade, de qualquer lugar do Brasil e do mundo, ajude-nos, lutem conosco. Homens e Mulheres de boa vontade do mundo inteiro, uni-vos.
Sem mais,
Harlon Homem de Lacerda Sousa
Matrícula 268495-X
Oeiras-PI, 07 de junho de 2018.
FONTE: Folha de Oeiras
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