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06/07/2016 ás 12h02

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Aeroporto internacional de SRN funciona sem a mínima estrutura
Aeroporto internacional de SRN funciona sem a mínima estrutura



No início de junho de 2016, após a divulgação pelo 180 da matéria “Aeroporto 171”, o governo do estado orquestrou uma coletiva de imprensa, com a presença do secretário de Turismo, Flávio Nogueira Jr., para anunciar o “Voa Piauí – do Litoral à Serra da Capivara”, local do dito aeroporto 'internacional', segundo o governo do estado. O plano, na verdade, já vinha sendo trabalhado internamente para ser anunciado e posto em prática há um certo tempo.



Na época, Flávio Nogueira falou que estava feliz pela ação. “O nosso estado precisa dessa divulgação, estamos felizes com mais esse passo voltado para o crescimento do turismo”, garantiu.



Em outra ocasião, quando o governo anunciou contrato com a empresa aérea TW Fly para desenvolver o projeto, assim se pronunciou o secretário: "sem dúvidas esse é um importante passo. Dentre os locais, temos o Aeroporto da Serra da Capivara pronto para receber os turistas. Assim como melhorias para a região, queremos despertar o interesse das pessoas em conhecer nossas riquezas e nossas belezas naturais".



_O senhor está realmente "feliz", secretário Flávio Nogueira?

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Porém, nem o governo parece, de verdade, acreditar no projeto, ao oferecê-lo dessa forma para a população. A empresa escolhida por ele e que passou a operar está mostrando suas limitações, até pelo tipo de aeronave utilizada. O exemplo foi de um cadeirante que tentou embarcar em Parnaíba. Foi um suplício. Ou seja, viagem para cadeirantes nessas aeronaves é dor de cabeça.



Já em São Raimundo Nonato, o aeroporto "internacional" finalmente foi aberto, mas funciona a meia-boca, muito aquém do que um dia disseram que ele iria ser.



A estrutura é exuberante, mas seu interior não chega nem perto do que se chegou a falar, a anunciar e a se criar em termos de expectativa, por meio das propagandas oficiais pagas com o dinheiro do contribuinte, além de entrevistas que permearam páginas de jornais, portais, e tempo de rádios e TV's, pagos também com o dinheiro do erário, ao longo dos últimos 12 anos.



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Hoje, o governo é cobrado e ironizado pela sua própria megalomania. E o que era para ser um aeroporto internacional, se tornou um arremedo. O que deu para fazer é isso que está aí.



_Lanchonete sem operação...

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Esse aeroporto que está recebendo os minguados voos da Piquiatuba Táxi Aéreo não possui uma cantina em funcionamento, nem lojas; o caminhão do corpo de bombeiros é um que foi cedido pelo governo, já velho e que desperta suspeitas até nos próprios funcionários que operam no aeroporto. Não tem ninguém da Polícia Federal e nem controle eficiente contra o tráfico de drogas na entrada e saída de passageiros.



AEROPORTO ESTÁ IMUNDO

Na parte superior do aeroporto a sujeira é predominante e seu aspecto de abandono também é visível do lado externo, dominado pelo mato e urubus – estes, um risco permanente.



_O descaso da Esaero, empresa que recebe R$ 1,7 milhão ano...

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Os voos, segundo os funcionários da empresa aérea Piquiatuba, ocorrem somente às segundas e quintas-feiras. Nesses dias, em que existem voos, o aeroporto fica aberto até um pouco mais tarde, por volta de 14h, 14h30. Nos demais dias, fica aberto somente até às 13 horas.



Também segundo os funcionários da Esaero – que administra o aeroporto e recebe mais de R$ 1,7 milhão ao ano para ter não mais que três funcionários se revezando, os voos nunca saem lotados. Dos 9 acentos, o comum é haver 4, 5, 6 passageiros. As aeronaves utilizadas são os Cessna Grand Caravan.



Inicialmente, o que propagandeavam eram aeronaves da TAM, Gol, até transatlânticos chegaram a cogitar pousando nesse aeroporto. Tudo através da propaganda e linguagem oficiais.



A VISTA AO AEROPORTO, FINALMENTE, ABERTO

O 180, quando nas dependências do aeroporto, acompanhou a perplexidade de uma professora, a senhora Cleide de Sousa Rodrigues, que adentrou o recinto para comprar uma passagem com destino a Teresina. Ela ficou admirada com o que viu: praticamente nada funciona.



_Nenhum dos balcões até hoje foram ocupados...

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A professora, de tanto ver propaganda e autoridades falando, achou que o aeroporto fosse mesmo internacional, que haveria carros nos estacionamentos, gente trabalhando em um ritmo frenético, algo do tipo. Saiu assustada e balançando a cabeça em gesto negativo. Naquela ocasião não comprou a passagem com destino a Teresina.



Já fora do aeroporto, a professora concedeu a seguinte e reveladora entrevista, ao ser abordada pelo 180.



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“VAMOS TER A PACIÊNCIA DE JÓ”



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180: Oi tudo bem? A senhora poderia falar um pouquinho aqui com a gente, eu sou jornalista, e queria gravar uma entrevista sobre suas impressões em relação ao aeroporto. Acompanhei a senhora entrando e saindo... Vi seus questionamentos lá dentro... Pode ser?

Cleide Rodrigues: Sim, claro.



180: Então, a senhora viu a propaganda do governo e achou que o aeroporto estava funcionado a pleno vapor?

Cleide Rodrigues: É... eu achei que estava funcionado, até porque um aeroporto desse, com uma tamanha dimensão dessa, eu achei que tivesse um café, uma lanchonete, umas lojas. E os dias de voos são poucos, mas eu vim me certificar, porque eu gosto de ver as coisas claras. Porque eu gosto de sair falando não o que eu ouvi falar, eu gosto de me certificar.



180: Então a senhora viu que só funciona os voos segundas e quintas-feira?

Cleide Rodrigues: É... só segunda e quinta-feira.



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180: E que o aeroporto só fica aberto até uma hora da tarde em dias sem voo para venda de passagens?

Cleide Rodrigues: Sim. E eu encontrei lá quatro funcionários. E mais ninguém lá dentro.



180: A senhora falou que achou que encontraria lojas...

Cleide Rodrigues: É... Eu achei que encontraria lojas, lanchonetes, outra recepção, na verdade. Eu achei que um aeroporto desses...



180: Polícia Federal... essas coisas?

Cleide Rodrigues: Sim. Como eu tenho costume de passar em outros aeroportos... Não seria tipo um movimento como eu via nos outros, mas pelo menos algo maior...



180: O que a senhora achou do preço das passagens?

Cleide Rodrigues: Muito caras. Porque eu costumo viajar de São Paulo para Petrolina, eu já paguei passagem até de R$ 280,00, R$ 350,00...



180: De São Paulo a Petrolina?

Cleide Rodrigues: De São Paulo a Petrolina. E aqui eu vou ter que pagar R$ 280,00 de São Raimundo Nonato a Teresina? Eu achei muito caro. Principalmente, nos dias de hoje, que a gente vive em dias de crise, sem dinheiro, que todo mundo fala que não tem dinheiro. Então eu achei muito caro.



180: O que mais lhe surpreendeu? Eu vi que a senhora entrou no aeroporto, fez aquele tour ali. Então, o que mais lhe chamou atenção, de imediato?

Cleide Rodrigues: O que mais me chamou atenção foi não ver ninguém, praticamente (risos).



180: Mas o governo diz que o aeroporto está funcionado, está ali...

Cleide Rodrigues: É, e aí? Como é que se faz? Como é que a gente vai discutir uma situação dessa?



180: A senhora está constatando in locu, não é?

Cleide Rodrigues: Estou sim. E perplexa.



180: A senhora chegou a subir no andar superior? Está imundo lá.

Cleide Rodrigues: Não, eu não cheguei a ver porque de baixo mesmo ali, eu não suportei mais nem ver nada. Eu já fiquei... (risos). Mas é bonito, uma estrutura muito bonita...



180: No meio do nada...

Cleide Rodrigues: No meio do nada. São Raimundo Nonato é uma região assim, que deveria... porque se ele tivesse funcionando normal, era uma forma de gerar mais empregos, num mundo de desemprego que a gente está hoje. Então assim, eu fiquei tão feliz quando soube que tinha aberto... Eu falei: ô, vai surgir vários empregos...



180: A senhora soube através de quê, da mídia oficial [a do governo]?

Cleide Rodrigues: É, que eu sou de Dom Inocêncio, aqui próximo, e eu já morei aqui [em São Raimundo Nonato]. E eu quando morava em São Paulo, a nossa expectativa era sempre de que quando esse aeroporto fosse inaugurado, a gente chegasse com mais facilidade aqui. Então seria mais fácil.



180: E é a primeira vez que a senhora vem aqui?

Cleide Rodrigues: Olha, sinceramente eu gostei da estrutura, mas das outras coisas eu não gostei...



180: Então a senhora não acha que ele seja assim... como diz o governo, meu Deus... internacional?

Cleide Rodrigues: Não, não acho. Por que como um aeroporto desse é internacional? Ele pode vir a ser, mas não sei, as coisas funcionam passo a passo. Pode ser. Vamos ter essa paciência de Jó, para ver se um dia a gente consegue melhorar a situação.



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AEROPORTO CUSTOU CERCA DE R$ 18 MILHÕES

O aeroporto de São Raimundo Nonato está no rol dos 100 maiores casos de corrupção do Brasil, do ano de 2015, investigado pelo Ministério Público Federal.



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Seu custo total está na casa dos R$ 18 milhões, e representa vestígios da incompetência do homem americano moderno, que há 12 anos alimentam a ideia de fazê-lo funcionar como o foi anunciado: internacional.



Mas fazê-lo emergir da forma como seus idealizadores o propagandearam ano após ano, acabou por torná-lo um mito, sobre o qual se contam muitas histórias. Muitas verdadeiras. Outras, lendas: como ele próprio.



Uma da histórias reais é a investigação realizada pela Polícia Federal, por determinação do Ministério Público Federal, que constatou irregularidades graves na obra e teve como consequência o bloqueio dos bens de vários envolvidos pela Justiça Federal.



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_Área externa do aeroporto internacional: mato...



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_Área interna do aeroporto internacional: sujeira...



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_Aberto ou fechado?

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- Participação: Maelson Ventura, pesquisador do Blog Bastidores





 




 




 



 


 



 


FONTE: 180 graus

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